O ano de 2025 encerrou com um alerta grave para o mercado de food service brasileiro: mais de 500 mil benefícios foram concedidos pelo INSS por transtornos mentais. O levantamento do Ministério da Previdência revela que profissões que exigem alta performance sob pressão e atendimento ao público, como cozinheiros, garçons e gerentes de salão, figuram entre as mais afetadas.

Na gastronomia, a cultura da “barriga no fogão” e a romantização do estresse excessivo estão cobrando um preço alto. Jornadas exaustivas, trabalho em finais de semana, a pressão dos aplicativos de delivery e a exigência de perfeição nos pratos criaram um cenário propício para o Burnout e, alarmantemente, para o aumento do uso de álcool e substâncias como “válvula de escape”.

Para os donos de bares e restaurantes, o impacto é financeiro e imediato. O setor, que já sofre historicamente com a alta rotatividade (turnover), agora vê suas brigadas desfalcadas por atestados médicos prolongados. O que acaba sobrecarregando a equipe remanescente e derrubando a qualidade do serviço.

A conta da negligência vai aumentar

Muitos empresários do setor ainda não sabem, mas a legislação trabalhista mudou. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), com prazo de adequação para maio de 2026, obriga que todos os estabelecimentos incluam os riscos psicossociais no seu Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Segundo a Psicóloga Fabíola Gonçalves, fundadora da Infocus Health e especialista em saúde mental corporativa, a fiscalização será rígida com o setor de alimentação fora do lar.

“A Infocus Health tem atuado justamente nessa consultoria estratégica de blindagem para restaurantes e redes de franquias. O dono do negócio precisa entender que a visão deve ser pragmática: não se trata apenas de palestras, mas de evitar as pesadas multas da fiscalização e estancar o prejuízo operacional. Implementar um programa de saúde mental nas empresas é a única forma de proteger o caixa do restaurante desse passivo trabalhista que se avizinha”, alerta a especialista.

O chef e o empresário também adoecem

Não é apenas a equipe operacional que sofre. A solidão da liderança na gastronomia é um fator crítico. Proprietários e Chefs Executivos carregam o peso da responsabilidade financeira e da reputação da casa, muitas vezes desenvolvendo quadros graves de ansiedade e depressão silenciosa.

Para esses profissionais, que dificilmente conseguem sair do restaurante em horário comercial, a telemedicina surgiu como uma solução vital. A procura por suporte especializado, como uma psicóloga online para depressão, tem crescido entre gestores que precisam de discrição e flexibilidade de horários.

Eficácia comprovada para rotinas intensas

A Terapia Cognitivo-Comportamental online é a abordagem mais indicada nesses casos. Por ser focada na resolução de problemas atuais e mudança de padrões de pensamento, ela se adapta bem à mentalidade prática dos profissionais de gastronomia.

“A terapia online oferece a mesma eficácia do presencial, sem exigir que o profissional perca horas no trânsito. Para quem vive a adrenalina de uma cozinha profissional, ter esse espaço de descompressão técnica e suporte emocional é o que garante a longevidade na carreira sem ‘pifar'”, explica Fabíola.

O recado dos dados oficiais é claro: o ingrediente que falta na gestão dos restaurantes brasileiros não é técnico, é humano. Quem não cuidar da saúde mental da sua equipe agora, pagará a conta com juros. Seja em multas, processos ou na perda de seus melhores talentos.

 

Foto Destaque: Imagem gerada via IA